Mais uma viagem bem sucedida na companhia de amigos queridos.

Madruga na PV com direito a um belo sol nascente. Cheguei e já comecei os preparativos pra zarpar enquanto esperava a Letícia. Um pouco mais tarde ela estava lá, super bem disposta como de costume. Depois chegou o Mássimo com sua trouxa super resumida e logo pôs-se a montar sua combalida canoa CTI.

Coloquei o barco na água às 6:30 e dez minutos depois pus-me a caminho do Forte do Imbuhy onde cheguei em quarenta minutos, depois de fazer 5,2km de percurso sob vento ENE com rajadas e de cruzar a rota de um navio de cruzeiro que adentrava a Baía. Passei entre o forte e a Ilha Magdalena e parei.

Esperei uns quinze minutos a chegada do Bruno e do Marquinhos, que vinham de caiaque duplo da PU, e da Luiza e do André que saíram de Charitas numa havaiana dupla. Ficamos conversando sobre as condições do tempo enquanto  Lê, Mássimo, Suzanna e Sanny, não chegavam. Não demorou muito e a trupe já estava reunida tirando as fotos protocolares. A Flávia também veio escoltando a galera, então cantamos o 'parabens pra você' batucando no convés.

Às 8:10 demos as primeiras remadas na direção da Ilha da Mãe. Faísca e Fumaça seguiram na frente em disparada e logo sumiram de vista e da minha câmera. Fui acompanhando a Letícia, Mássimo, Luíza e André, enquanto a Suzanna e a Sanny seguiam atrás. Apesar do vento contrário que vinha exatamente de ESE/SE, conseguimos imprimir um ritmo bom e avançamos sem problemas. Às 9:00 demos uma parada de 20 minutos perto da Ilha da Menina. O odômetro do GPS marcava 12,5km.

Ainda paramos algumas vezes para reunir o grupo, mas no final as meninas ficaram bem para trás. Então deixei a galera ir embora e fiquei esperando a Su e a Sanny para seguirmos juntos. Foi bom porque, além de descansar, pude fazer algumas fotos delas. Chegamos às 11:53 numa pequena praia escondida entre as pedras, onde nossos amigos já nos aguardavam entre um sem número de voadeiras de alumínio dos pescadores locais. O canal que leva até a praia tem fundo raso, de pedras, e está cheio de ouriços. Antes de sair do caiaque dei uma testada nas pernas pra ver se me aguanteriam. Foram 27,7km de boa remada debaixo de sol forte.

Depois de subir os caiaques para não congestionar a pequena enseada e de descansar um pouco, tratamos de tirar os barcos do caminho e procurar uma sombra par preparar o rango.

Eis que de repente recebemos a visita do Leo e da Pedrina, que vieram de canoa de Itaipuaçu para passar o dia. Quem chegou também foi o Marcão, sozinho vindo do CRG. Quando o vimos se aproximar ficamos admirados. Só o Marcão!

Compramos uns peixes que foram limpos pela Letícia , Mássimo e Leo enquanto Eu, Bruno e Marquinhos fomos catar lenha pro braseiro. André ainda comprou uns mexilhões, já limpos, pra misturar com o arroz, e a Letícia foi preparar uma sopa de quinoa com legumes.

Nessa altura o acampamento já estava montado debaixo de amendoeiras num platô mais afastado. Era tralha espalhada por tudo quanto é canto. Tinha até uma rede levada pelo André. Enquanto uns se ocupavam da cozinha, outros estavam estirados no chão, outros ainda andavam de um lado pro outro carregando seus troços. O sol estava inclemente.

A comida ficou pronta e cada um foi se servindo. Estava tudo uma delícia, especialmente o peixe que foi temperado só com limão. Preparei um  tang e coloquei uma caninha da roça pra calibrar, mas confesso que não tava bom. Então passei a compartilhar o uísque do Bruno.

De repente alguém avisou que numa fenda do lado "de fora" da Ilha tinham duas tartarugas enormes. Fui conferir com o Marquinhos e com o Bruno. O mar estava agitado daquele lado, muitos carneiros e ondas batendo forte nas pedras. Não demorou, elas apareceram. Estavam lá, nadando, um verdadeiro balé pra quem quisesse ver. Enquanto uma vinha a tona a outra ficava lá embaixo, só viamos o borrão. Um espetáculo!

Voltei pro acampamento estasiado. Estiquei o isolante perto do barranco e deitei. A sombra já estava indo embora quando o Marcão começou a armar sua barraca na frete do sol, prolongando meu bem-estar.

Questão água: na ilha tem um poço de água de chuva que estava baixo e imundo. Um outro poço de água de mina que estava servindo os pescadores há dias também estava com 4 dedos de água. Tivemos que nos garantir na água que levamos e que foi suficiente.

Ficamos por alí batendo papo entre um mergulho e outro. Nesse meio tempo o Léo e a Pedrina partiram para Itaipuaçu. Um grupo tentou chegar ao farol, mas desistiu no caminho ensolarado e cheio de subidas e descidas. Taí um pretexto para voltar: ir no farol. Em 2005 fomos até lá. O farol mesmo não é grandes coisas, mas a vista lá de cima vale o esforço.

Quando o sol baixou e como os mosquitos começaram a atacar, resolvemos transferir o acampamento para a praia. Eu, Faísca e Fumaça fizemos um espaço entre os caiaques para passar a noite num gramado no canto esquerdo da praia. Letícia, Luíza, André, Suzanna e Sanny foram pro outro canto. André e Luíza armaram a barraca e o restante se jogou na areia mesmo, ao léu. Mássimo foi dormir do outro lado da Ilha sozinho. Marcão ficou no platô onde havíamos passado a tarde e onde sua barraca já havia sido armada.

Ainda conversamos um pouco entre goles de úisque até que o cansaço nos venceu. Eu tinha um colchão inflável e um lençol, o que me pareceu o bastante para o pernoite. Pensei que minha noite seria maravilhosa, mas senti frio por causa do vento constante e do orvalho da noite. Ainda bem que o Bruno me emprestou um par de meias. Faísca tanbém sentiu frio e até se resfriou. Mesmo assim deu pra descansar até o sol nascer.

O dia começou com um café da manhã reforçado. Eu Marqunhos e Bruno resolvemos passar mais um dia para explorar a Ilha. Nos despedimos dos amigos que foram pouco a pouco se lançando ao mar e quando todos haviam partido pedimos aos pescadores para guardar nossas tralhas e fomos embora. Remamos no sentido horário e pouco depois de passar pela prainha do outro lado encontarmos o Marcão. Juntos entramos em dois canions na Ilha principal e em mais dois na ilha menor. O mar não estava batido como na véspera, então pudemos ir até o fundo de cada um deles.

Depois de contornar as duas ilhas maiores demos adeus ao Marcão que seguiu de volta pro Rio. Fomos pra prainha do outro lado da ilha e quando não deu mais pra aguentar o sol voltamos pra praia principal. Chegando lá pegamos nossas coisas e fomos preparar a bóia. O Bruno tinha reservado umas lasanhas e uns risotos que bastam ser aquecidos em banho-maria para ficarem prontos. A lasanha estava ótima, sendo uma boa pedida para a próxima viagem, mas o risoto... Esquece.

A tarde passou preguiçosamente até o sol se por. Armamos uma tenda improvisada entre os caiaques no canto da praia e comemos alguma coisa. Marquinos foi pra cama cedo e não acordou mais. Um pouco mais tarde me dei conta que estava com a mão direita cheia de espinhos de ouriço. Lembrei que fiquei segurando na pedra do paredão de um dos canions. Putz! Não estava sentindo quase nada, mas será que no dia seguinte seria possível remar com mais de trinta espinhos na mão? Bruno ficou preocupado, então decidimos fazer a cirurgia.

Felizmente nosso centro médico estava equipado: pinça, agulha, lupa, caninha da roça para assepsia do ferimento, uísque para anestesiar o paciente e o cirurgião... Estava tudo lá. Com grande habilidade, depois de uma dose de anestésico, o Bruno começou a levantar a pele da palma da minha mão com a agulha e foi retirando um a um os mais de trinta espinhos. Depois de quase uma hora, contentes com o resultado, já mais pra lá do que pra cá, fomos dormir.  

Acordei antes do nascer do sol, preocupado em partir cedo. Minha mão estava ótima, não sentia nenhum espinho. Logo depois Marquinhos e Bruno já estavam de pé. Tomamos café e começamos a desarmar acampamento. Nos despedimos dos pescadores, colocamos os barcos na água e partimos às 8:45. Às 10:45 chegamos na ponta de Itaipu depois de remar 14,5 km num mar tranquilo com ondas de SE. Passamos um tempo parados e seguimos para a prainha de Piratininga onde desembarcamos para beber uma cerveja gelada.

Só saímos da praia às 12:55, eu para a PV, Bruno e Marquinhos para a PU. Remamos juntos até o Imbuhy e, então, nos separamos. Ainda pude obeservar os dois durante um trecho, mas depois os perdi de vista. O vento soprava de NW na boca da barra, forçando um pouco meu braço esquerdo. Desembarquei na PV às 14:20 bastante cansado, mas satisfeito. O GPS marcava 29,2 km.

É isso. Agora é descansar e aguardar a próxima viagem. 

Rodrigo 

 

 

Última atualização ( Qua, 03 de Março de 2010 12:14 )