O pretexto foi trocar as fotos da travessia Paraty Mirim - Trindade do Carnaval. Nem fui nessa viagem, mas qualquer pretexto é bom pra remar. Faltava o tempo permitir.

O DHN lançou um aviso de ressaca com ondas de 2/2.5 m. Se não ventasse, beleza. Quando fomos pra Rasa também tinha ressaca e mesmo assim foi tranquilo (pelo menos pra quem não enjoou). O negócio é ir conferir, ver pra crer, ou crer pra ver.

 

Partimos da PV, Eu e Letícia, pra encontrar Flávia, Edu e Alê no Forte da Laje. Logo na virada do Pão de Açùcar demos de cara com um rebocador, seguido por um cortejo de barcos piloto, puxando uma plataforma pra dentro do canal da Cotunduba . Passei no remoleixo das ondas de retorno sentindo o início da fervura da tarde.

A corrente estava vazando, mas as ondas estavam entrando. Perto do Laje a Letícia ficou de pernas pro ar numa meia cambalhota para trás por causa de uma onda traiçoeira. Paramos pra esperar a galera da PU, e logo que chegaram tomamos o rumo de Charitas.

Da PV até o Laje tinha muito lixo, mas daí pra frente o que vimos foi chocante. Falar em um mar de detritos não tem sentido figurado, não é metáfora. Não vou prolongar o assunto, já falamos bastante sobre isso,  só vou dizer que remamos com cuidado pra não quebrar barcos e remos. Tava brabo.

Próximo das praias de Adão e da Eva fomos recepcionados pela dupla André e Luíza, nossos anfitriões do dia. Seguimos todos juntos até a praia e desembarcamos perto da estação das barcas, ao lado da base da galera local da canoagem (Mauna Loa) e vela. 

Daí resolvemos ir até a varanda do restaurante Olimpo no segundo piso da estação projetada por Niemeyer, onde tinha umas mesinhas e talvez uma tomada pra ligar o leptop do André. Pedimos licença e nos instalamos. O restaurante estava fechado.  

Juntamos as mesas e, então, a Flávia começou a tirar de sua cartola um monte de coisas para comer. Tinha suco de laranja, granola, iogurte, mel, biscoitos, mangas, bananas. Letícia e Alê ainda foram buscar café e pão com manteiga num quiosque. Em suma: armamos um super café da manhã continental, consumido em meio a animada conversa, até que o gerente, Claudio, nos pediu simpática e gentilmente para saírmos, pois o serviço ia começar e os visitantes já estavam chegando.

Recolhemos nossas coisas deixando para trás vestígios de nossa passagem pelo restaurante Olimpo que, nessa altura, tava mais pra Osujo. Fomos para um quiosque na praia ver as fotos da travessia Paraty Mirim - Martins de Sá. Belíssimas fotos que provocaram o desejo de viajar mais. Também assistimos ao vídeo da travessia PV - Maricás.

Como disse o Fitaroni no artigo sobre o naufrágio do Bom Tempo, essas remadas pelas trilhas do mar sempre nos reservam muitas surpresas. Tivemos sol, ondas, lixo, café da manhã, fotos, vídeos, e as surpresas não terminariam por aí.

Na volta pro Rio, Flávia, Edu e Alê seguiram pra PU, Eu e Letícia fomos pra PV. Até a Fortaleza de Santa Cruz o mar parecia de bom tamanho, até mais suave que pela manhã, mas depois vimos que não era bem assim.  As ondas pareciam vir de NE pegando a popa, dava pra surfar, mas o mar tava bem doido, mexendo pra todo lado. Minha proa afundava com frequencia, a água cobria o convés. A Letícia se afastou da ponta do Pão de Açúcar pra domar seu touro bravo. O mar não tava enorme, nem o vento estava muito forte, mas tava anárquico, todo bagunçado, dificultando bastante o seguimento.

Saltamos na PV em meio a ondas regulares, sem maiores problemas. Olhando o mar alí da praia nem parecia aquele que a gente tinha acabado de passar.

Foi isso, um bom pretexto reservou um dia cheio de surpresas, bons momentos com os amigos e lições do mar. 

Abraço.

Rodrigo. 

Última atualização ( Ter, 02 de Março de 2010 19:52 )