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A necessidade é mãe da imaginação. O homem primitivo deve ter pensado num barco quando viu algum animal boiando sobre um tronco e entendeu que podia fazer a mesma coisa para atravessar um plano d’água em busca de novos territórios ou para pescar em águas profundas e melhorar seu limitado cardápio. Questão de sobrevivência. O tronco de árvore flutuando deu a idéia do barco. Do tronco para a canoa foi uma questão de tempo, mas é provável que nas regiões onde havia florestas, a primeira embarcação tenha sido uma jangada, pois sua construção é mais fácil e não exige ferramentas complexas. Porém, no neolítico o homem além de dominar o fogo já utilizava instrumentos de pedra, o que lhe permitiu escavar um tronco e talhar suas extremidades, fabricando um tipo de canoa primitiva. Ainda podemos encontrar “descendentes” dessas embarcações rudimentares em vários pontos do planeta, inclusive no litoral do Rio de Janeiro, onde é comum ver canoas caiçaras construídas a partir de um tronco de árvore escavado. Hoje não é mais permitido derrubar árvores para a fabricação de canoas e até agora ninguém se dispôs a reproduzir em fibra de vidro essas embarcações típicas do nosso litoral. As canoas canadenses, polinésias e os caiaques esquimós, fabricados atualmente em materiais sintéticos, são descendentes diretos das embarcações primitivas desses povos. Os homens conceberam e construíram seus barcos em função das exigências do ambiente e da disponibilidade de materiais da região onde viviam. Os polinésios usam um tronco escavado, ao qual fixam um flutuador lateral chamado “ama” para dar equilíbrio à embarcação; as canoas de alguns índios brasileiros são feitas de cascas de árvores; os habitantes das margens do lago Titicaca, entre o Peru e a Bolívia, fazem seus barcos com feixes de junco; enfim, para cada ambiente um barco. A escassez de madeira nas regiões árticas deixou aos primitivos habitantes dessas áreas a alternativa de construir seus barcos com pedaços de madeira e com materiais extraídos de animais como cães, baleias, caribus e focas. A estrutura era feita com ossos e o revestimento com peles costuradas com tripas e impermeabilizadas com gordura. O barco conhecido como Umiaque era uma canoa grande, manejada coletivamente na caça de baleias e no transporte de carga e de passageiros. Barcos desse tipo foram largamente utilizados pelos colonizadores europeus na exploração dos territórios Inuit no Canadá. O caiaque era outro tipo de barco esquimó, típico do mar, fabricado sob medida e usado exclusivamente por homens para a pesca e caça de pequenos animais. Seu desenho original sofreu muitas adaptações, mas os modelos oceânicos atuais, mantiveram as principais características dos caiaques primitivos. Atualmente, existem vários tipos de caiaque, destinados a utilizações diversas e fabricados com materiais sintéticos. A Canoagem moderna Atribui-se a John MacGregor a responsabilidade pela popularização da canoagem na Europa apartir de 1865. Contam que esse escocês, residente em Londres, construiu uma canoa de madeira inspirada no caiaque esquimó, e realizou várias expedições pela Europa, relatadas em um livro. Suas histórias encantaram o público e seu barco tornou-se uma opção de lazer razoável, pois era fácil de transportar e pouco dispendioso. A partir de então, a canoagem ganhou muitos adeptos e, já em 1866, MacGregor fundou a primeira associação de canoagem, o Royal Canoe Club. A primeira competição de canoagem ocorreu na Bélgica em 1867. Depois, muitos outros acontecimentos marcaram a evolução da canoagem, como a criação de associações e de clubes em vários países, a criação da Federação Internacional de Canoagem (1924) e a inclusão da canoagem nos jogos olímpicos de Berlim (1936). Uwe Kohnen, um dos pioneiros da canoagem no Brasil, conta no seu livro que o esporte já era praticado na cidade de Estrela-RS desde 1943. Um alemão chamado José Wingen, a exemplo de Mac Gregor, construiu, em 1941, um caiaque conhecido como “regatas”, que se tornou muito popular na região durante um bom tempo. A canoagem brasileira começou a tomar contornos oficiais muitos anos depois, graças à atuação de Leopoldo Ávila, responsável pela primeira visita ao Brasil de Alan Byde do BCU - British Canoe Union , em 1979, e ao próprio Uwe, primeiro presidente da Associação Carioca de Canoagem - ACC, fundada em 1980. Já em 81, foram realizados os primeiros cursos com instrutor da BCU, e com a criação da Associação Brasileira de Canoagem, em 1985, o esporte passou a ser representado nacionalmente e ganhou maior reconhecimento. Atualmente, o órgão de representação nacional é a CBCa - Confederação Brasileira de Canoagem, que congrega as Federações Estaduais de Canoagem. * No início a canoagem foi uma atividade voltada para o trabalho e para a subsistência, posteriormente foi utilizada para recreação e lazer e, finalmente, praticada como modalidade esportiva. Fontes: Kohnen, Uwe. Tudo sobre caiaques. São Paulo: Nobel, 1989. Hilsdorf, Victor. Manual do canoísta de fim-de-semana. São Paulo: Corps, 2002. Veja mais sobre a história da canoagem no site da CBCa: www.cbca.org.br/historia.htm |